domingo, 25 de janeiro de 2015

Comerciantes de São Paulo sofrem com falta d'água e reclamam de pouca informação

Comerciantes de São Paulo sofrem com falta d'água e reclamam de pouca informação

Agência Brasil
Racionamento, restrição hídrica, diminuição da pressão, rodízio. São muitos os nomes que se pode dar para o desabastecimento em razão da crise hídrica em São Paulo. Mas a realidade, cada vez mais frequente na vida do paulistano, é uma só: está faltando água nas torneiras. “Tem dias que não tem água de manhã, tem dia que não tem à tarde e tem dia que falta o dia todo”, relatou Iélia Barbosa, auxiliar administrativo de um restaurante na Vila Madalena, bairro nobre da zona oeste paulistana. Comerciantes entrevistados pela Agência Brasil contam como têm driblado o problema da falta d'água e o que têm feito para reduzir o consumo.
No restaurante administrado por Iélia, a saída tem sido a caixa d'água. “Ela é suficiente para um dia. Já tivemos que comprar água. Usamos a da caixa para limpeza e a mineral para cozinhar”, declarou. Ela aponta que isso aumenta o custo das refeições, mas, por enquanto, o acréscimo não está sendo repassado para a clientela. De acordo com a Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp), a torneiras vazias não têm relação com racionamento, trata-se de uma diminuição de pressão da rede de distribuição. Os horários em que falta água, portanto, não são conhecidos. “Era melhor que tivesse uma agenda com os dias que vai ter e não vai ter”, propôs a auxiliar.
O geólogo Pedro Luiz Côrtes, professor da área ambiental da Universidade de São Paulo (USP) e do Mestrado em Gestão Ambiental da Universidade Nove de Julho, avalia que é fundamental manter a população informada. “A informação chega a conta-gotas. Isso é péssimo porque aumenta a insegurança sobre o que vai acontecer. Esta é uma crise que poderia ter sido minimizada se a população tivesse sido avisada com antecedência”, apontou. Ele defende que o governo estadual apresente à sociedade um plano com os cenários com os quais está trabalhando para a crise, o planejamento para cada um deles, como deve se dar a recuperação dos mananciais e as alternativas para o abastecimento.
Desde dezembro do ano passado, o desabastecimento é frequente no salão da cabeleireira Angelita Miranda, na Vila Madalena. “A gente não pode fazer química, porque precisa de mais água. A gente deixa de atender algumas clientes”, relatou ela que trabalha no local há 30 anos. Os tratamentos que requerem mais água sá são feitos quando ela verifica que tem água suficiente. “Já tive que fazer permanente, que é um trabalho difícil, com pouca água. Sem previsão do que daria de resultado. A gente não pode deixar transparecer para o cliente”, relembrou. Para reduzir o consumo, ela passou a acumular as toalhas do salão para colocar juntas na máquina.
Também na zona oeste, no bairro Alto de Pinheiros, o lava-jato de Rodrigo Tavares enfrenta dificuldades com redução de 40% da clientela. “As pessoas deixaram de levar e aumentaram o prazo das lavagens. A frequência era em torno de 15 dias e agora aumentou para mais de 40”, informou. No estabelecimento, uma placa indica que não se usa água da Sabesp na lavagem dos carros. “Se não desse essa informação, o movimento ia cair mais ainda. Estamos na crise há seis meses”, completou. Cerca de 70% da água do lava-jato é de reúso, tratada por um sistema montado no próprio local. A água nova é retirada de um poço artesiano. Tavares precisou demitir três funcionários e aumentou em 14% o valor da lavagem.
Na zona leste, a lanchonete de Halisson Parente precisou fechar as portas uma vez por causa da falta d'água. “Já teve dias que a gente não estava preparado e faltou [água] o dia inteiro. O jeito foi deixar para o outro dia”, relatou. O estabelecimento, na Avenida Paes de Barros, na Mooca, funciona diariamente das 7h às 21h, mas todos os dias, a partir das 14h, o que sustenta o abastecimento é a caixa d'água. “Antes faltava a partir das 18h. Faz um tempo que vem racionando, mas agora, faz uns 20 dias, que às 14h para”, declarou. Para economizar, ele deixou de lavar o bar semanalmente. “Agora é só uma vez por mês e sem mangueira, é com balde”, informou.
O cenário é o mesmo na região central da cidade. A lavanderia de Manoel Matos está, pela primeira vez, terceirizando serviços. “Eu mando fazer serviço fora para lavar cobertor, edredons. Mando fazer lavagem a seco”, apontou o proprietário que trabalha há 38 anos no mesmo local. Ele conta que tem uma clientela cativa, mas está encontrando dificuldades para atender no prazo que fazia anteriormente. “Antes entregava com três dias, agora, são cinco, sete dias”, relatou. De acordo Matos, a situação piorou nos últimos 15 dias. “A água não está mais subindo para a caixa d'água. Não tem força. Estou pegando água com a mangueira aqui de baixo [da rua]”, declarou.

Especialistas dizem que crise de falta de água era cenário anunciado



Especialistas dizem que crise de falta de água era cenário anunciado
Prof. Martinez diz que alerta já havia sido feito em outubro de 2014. Já o pesquisador Motta ressalta que ONU fala da questão desde 2007. G1 23/01/2015
A falta de chuva diminui drasticamente os níveis dos reservatórios de água no Brasil. Na Região Central de Minas Gerais, este é o mês de janeiro mais quente desde 1910. No país, os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste tiveram um corte no abastecimento de energia na última segunda-feira (19). A redução foi determinada pelo operador nacional do sistema. Segundo o professor de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em planejamento de sistemas energéticos Carlos Barreira Martinez, este cenário era anunciado e começou em outubro do ano passado, mas foi mascarado por questões eleitorais.
O professor do Departamento de Biologia Geral da UFMG Ricardo Motta concorda com Martinez, e acrescenta que cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram sobre o problema em 2007. Na época, a instituição afirmava que a Região Sudeste do país, assim como outras do mundo, como a Califórnia, nos Estados Unidos, iriam sofrer a crise atual. “Tempo suficiente para o governo brasileiro tomar medidas, por exemplo, de mudança da nossa matriz energética”, critica Motta.
Para os professores, o que se pode fazer no momento atual é tentar diminuir o consumo de água. Apesar disso, eles alertam que a situação vai se agravar ainda mais. ”Nós vamos ter uma redução também no nível de produção industrial. Nós vamos ter diminuição de produção industrial, agrícola, e de empregos. E nós vamos ter um sistema em que os preços vão subir”, diz Carlos Barreira. “Nós vamos ter uma crise realmente muito séria. Vai haver desabastecimento de água, de energia. E se você está achando que a situação está difícil agora, espere até março para ver o que vai acontecer”; prevê o especialista.
De acordo com o professor, o modelo do sistema elétrico brasileiro ele é equivocado; problema que se arrasta há 20 anos. A questão ambiental, no entanto, não é descartada pelos professores da UFMG. Conforme eles citam, esta é uma questão global, vivida em todo o planeta. Mas o agravamento do quadro ocorre por motivos políticos. “Hoje, no Brasil, você faz todas as suas ações pensando exclusivamente na eleição do dia seguinte. Se isso não for mudado, se não houver uma reforma nesse país, nós vamos viver de crise em crise”, afirma o professor de engenharia hidráulica.
A previsão é de que a situação de racionamento dure de dois a três anos, segundo Martinez. Já Motta fala em um período mais longo: quatro a cinco anos para que a situação volte ao normal, se houver chuvas em quantidade suficiente. De acordo com a análise do doutor em planejamento de sistemas energéticos, depois desse período, a situação deve ser equilibrada naturalmente, mas é precisar revisar as políticas estruturais no setor, a fim de evitar que a população enfrente outras crises.

“Toda a crise e toda mudança na sociedade, ela é precedida por uma mudança ambiental. Porque quando você tem abundância de recursos, você não muda nada. Você continua tocando o sistema da forma como ele vinha. Ele funciona. Agora, com a escassez, nós vamos ter que repensar como fazer isso”, afirma Carlos. E Ricardo Motta reforça: “É a primeira grande crise que a população vai enfrentar. E isso vai ser um processo de aprendizado, de governo, de sociedade civil, para superar isso aí”.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Substâncias Orgânicas (Biologia)

Substâncias orgânicas

                  Na fabricação de balas são utilizadas substâncias naturais orgânicas.
             
          Desempenham um papel fundamental na vida dos animais e das plantas como fonte de energia e unidades estruturais dentro das células.

    1. Carboidratos

Conhecidos como hidratos de carbono ou glicídios;
Representam cerca de 1% do total da composição celular, sendo mais abundantes nos vegetais;
São formados por átomos de C, H, O e, algumas vezes, se associam a outras substâncias como proteínas (glicoproteínas);
Os animais obtêm os carboidratos pela ingestão de alimentos ricos nesses compostos, como os vegetais.

Funções:
Primeira fonte de energia;
Estrutural (celulose e quitina).

Classificação: são classificados pelo número de monômeros que os constituem.
Monossacarídeos: apresentam estrutura simples, possuindo uma fórmula geral Cn(H2O)n em que “n” pode variar de 3 a 7.
Os monossacarídeos são classificados pelo número de átomos de carbono presentes na molécula. Trioses, tetroses, pentoses, hexoses. Os mais importantes são as pentoses e as hexoses.
Pentoses: C5H10O5 ribose que forma o RNA e a desoxirribose que forma o DNA.
Hexoses: C6H12O6
Glicose – produto direto da fotossíntese é a fonte primária de energia para todas as células vivas. Ela é encontrada naturalmente como componente do mel, no suco de diversas frutas e no plasma do sangue.
Frutose presente nas frutas.
Galactose presente no leite.
Os monossacarídeos entram na composição de inúmeros oligossacarídeos e polissacarídeos.
Oligossacarídeos: são formados pela junção de 2 a 10 moléculas de monossacarídeos unidos por ligações glicosídicas e com perda de uma molécula de água. São cristalinos, solúveis em água, com sabor doce. Os de maior freqüência são os dissacarídeos, formados pela união de 2 monômeros de hexoses.
Dissacarídeos: C12H22O11 . Todos com função energética.
Sacarose: união da glicose + frutose. Presente na cana-de-açúcar e na beterraba.
Lactose: união da glicose + galactose. Presente no leite.
Maltose: união da glicose + glicose. Conhecida como açúcar de cereais maltados.
Polissacarídeos: resultam da união de muitos monômeros de hexose com a correspondente perda de moléculas de água. Diferenciam-se entre si pelo tipo de monossacarídeo constituinte, seu número na cadeia, seu grau de ramificação e o tipo de ligação glicosídica. Formam grandes moléculas com fórmula geral (C6H10O5 )n. Podem ser polissacarídeos de reserva energética ou com função estrutural.
 Curiosidade


Os animais não podem absorver a sacarose para ser aproveitada, necessitando de hidrólise pela sacarase (invertase), assim glicose e frutose são rapidamente absorvidas pelas células do intestino.
A maltase localizada no intestino hidrolisa a maltose em 2 moléculas de glicose.
A lactose, presente no leite, é hidrolisada pela lactase, presente na mucosa intestinal e bastante abundante em crianças em fase de amamentação.



Reserva energética:
Amido encontrado nos vegetais. É formado por 1400 moléculas de glicose, e encontra-se concentrado em certos órgãos, como caules (batata inglesa), raízes (mandioca) e sementes (milho, trigo).
Glicogênio principal fonte de reserva energética dos animais é constituído por aproximadamente 30.000 moléculas de glicose. É encontrado armazenado principalmente em órgãos como o fígado e os músculos.

Estrutural:
Celulose – encontrado nos vegetais. É o polissacarídeo mais abundante na natureza, contendo aproximadamente 50% de todo o carbono orgânico. Encontrado na parede celular e outras estruturas de sustentação dos vegetais. Contém cerca de 4.000 moléculas de glicose.
Quitina A quitina associada a proteínas constitui o exoesqueleto de animais, como insetos, crustáceos e outros.

      2. Lipídios

Apresentam insolubilidade na água e solubilidade nos solventes orgânicos (éter e clorofórmio);
Representam de 2% a 3% da composição total das células;
É mais abundante em animais do que em vegetais;
Nos vegetais ficam armazenados principalmente em frutos e sementes (soja, oliva, amendoim, castanhas, milho, girassol,...);
Nos animais superiores, encontram-se armazenados na forma de triglicerídeos em células especiais denominadas de adipócitos, formando o tecido conjuntivo adiposo;
Podem ser sintetizados a partir de carboidratos ou proteínas;
Apresentam alto valor calorífico;
São formados pela união de ácidos graxos e álcoois.

Funções:
Estrutural ou plástica: construção das membranas;
Reserva energética: quando não há disponibilidade de glicose, as células têm como outra opção oxidar moléculas de lipídios para a liberação de energia; (2ª fonte de energia)
Isolante térmico;
Função hormonal: os hormônios sexuais e da supra-renal têm constituição lipídica;
Isolante elétrico: na condução do impulso nervoso;
Impermeabilizante: como por exemplo, a cutina que reveste a epiderme de determinados órgãos vegetais.

Classificação:
Simples: formados apenas por moléculas de C, H e O
Glicerídeos: Óleos e gorduras. Em temperatura em torno de 20ºC, mostram-se pastosos, como as gorduras, ou líquidos, como os óleos. Possuem papel energético e isolante. Principalmente em aves e mamíferos, ocorre um depósito gorduroso sob a pele (panículo adiposo), que, além de atuar como reserva energética, também fornece isolamento térmico impedindo perda de calor. Alguns mamíferos típicos de regiões frias, como os ursos polares e as raposas do Ártico, apresentam esta camada especialmente desenvolvida para permitir a sobrevivência em temperaturas negativas de até 40ºC.
Cerídeos: Ceras. Os frutos e folhas apresentam uma fina camada de cera em suas superfícies, impermeabilizando-as para dificultar a desidratação. Alguns insetos, como as abelhas, também produzem cerídeos.
Esteróides: São exemplos de esteróides: A testosterona (hormônio testicular), a progesterona (hormônio ovariano) e os hormônios das glândulas supra-renais (cortisona) e o colesterol, (componente das membranas celulares e precursor da síntese de outros esteróides, como a  vitamina “D”).
Compostos: além dos componentes do lipídio simples, ocorrem também os átomos de fósforo (P) e nitrogênio (N). Os fosfolipídios que ocorrem nas membranas celulares apresentam radicais fosfato associados a lipídios. Os esfingolipídios abundantes no sistema nervoso apresentam-se ligados à átomos de nitrogênio.

3. Proteínas

Composto orgânico de maior diversidade de funções biológicas;
Depois da água é o componente mais abundante nas células (7% a 15%);
São polímeros formados pela união dos aminoácidos, através de ligações peptídicas com perda de água.

Funções:
Enzima: catálise da quebra ou formação de ligações covalentes
Proteína estrutural: oferece suporte mecânico para células e tecidos
Proteínas transportadoras: transportam pequenas moléculas ou íons
Proteína-motriz: Gera movimento nas células e tecidos
Proteína de reserva: armazena pequenas moléculas ou íons
Proteína sinalizadora: transmite sinais de uma célula à outra
Proteína receptora: utilizada pelas células para detectar sinais e transmiti-los para a maquinaria celular de resposta
Proteína regulatória de genes: liga-se ao DNA para ligar ou desligar genes
Proteínas para fins especiais: altamente variável

Aminoácidos: são ácidos orgânicos também chamados de peptídios. São as subunidades formadoras das proteínas ou polipeptídios. Existem 20 tipos de aminoácidos na natureza: alanina, arginina, ácido aspártico, ácido glutâmico, valina, leucina, lisina, isoleucina, serina, treonina, cisteína, cistina, metionina, glicina, hidroxilisina, hidroxiprolina, fenilalanina, tirosina, histidina e triptofano.

Estrutura de um aminoácido: todos apresentam uma estrutura semelhante, com um carbono central ligado a um radical amina, um radical carboxila, um hidrogênio e um radical R (cadeia lateral), que é diferente para cada um dos 20 aminoácidos.

Ligação peptídica: ocorre entre dois aminoácidos por meio de uma ligação entre o radical amina de um aminoácido e o radical carboxila (ou ácido) do outro aminoácido, com liberação de uma molécula de água.

Os aminoácidos podem ser divididos em três categorias:
·                    Naturais: aminoácidos que o organismo é capaz de sintetizar;
·                    Semi-essenciais: aminoácidos que o organismo produz em pequena quantidade;
·                    Essenciais: aminoácidos não produzidos pelo organismo, são provenientes da alimentação.

 Curiosidade


Nem todas as proteínas apresentam os 20 tipos de aminoácidos. Além disso, o número de aminoácidos entre as proteínas varia muito. A insulina, por exemplo, é uma molécula formada por 51 aminoácidos e a hemoglobina, por 574. Portanto, duas proteínas podem se diferenciar quanto ao número de aminoácidos, quanto aos tipos de aminoácidos e pela seqüência dos mesmos.

Classificação das proteínas
·           Simples: formadas apenas por aminoácidos. Ex: anticorpos ou imunoglobulinas
·           Conjugadas ou complexas: apresentam, além dos aminoácidos, um radical prostético (não protéico). Ex: lipoproteínas.

Ligação peptídica


                                                     
                                                   Aminoácido


                                                                                 












Estrutura das proteínas:
            Estrutura primária: corresponde a uma seqüência linear de aminoácidos. É o nível mais importante na estrutura da molécula, uma vez que as estruturas seguintes estão condicionadas ao ordenamento dos aminoácidos neste cordão. Exemplo: um exemplo da importância biológica da seqüência dos aminoácidos pode ser observado na doença hereditária chamada anemia falciforme, na qual se produzem profundas alterações funcionais em conseqüência da substituição de apenas um aminoácido na molécula de hemoglobina.
Estrutura secundária: além das ligações peptídicas entre os aminoácidos, estabelecem-se pontes de hidrogênio entre os radicais, de modo que a proteína adquire forma de a hélice, outras proteínas, ou parte delas, exibem uma estrutura denominada folha pregueada b, quando a molécula adota a configuração semelhante a uma folha de papel pregueada. Isso ocorre quando grupos carboxila e grupos amino, de uma mesma cadeia polipeptídica, se unem lateralmente por meio de pontes de hidrogênio.
Estrutura terciária: corresponde à distribuição espacial e tridimensional de todos os átomos da proteína. São relações entre aminoácidos distantes na seqüência linear (estrutura primária). É uma estrutura altamente compacta e enovelada, determinada pelos grupos “R”. Esta estrutura vai se consolidando logo após a biossíntese da proteína e corresponde a sua forma ativa. De acordo com o tipo de dobra adotada, geram-se proteínas fibrosas ou proteínas globulares. As primeiras se formam a partir de proteínas (ou de segmentos protéicos) com estrutura secundária exclusivamente do tipo a hélice. As segundas, podem ser formadas tanto a partir de a hélice como a partir da estrutura de folhas pregueadas b, ou de uma combinação de ambas.
Estrutura quaternária: é a associação de várias cadeias polipeptídicas, como ocorre, por exemplo, com a hemoglobina, que consiste na união de 4 cadeias polipeptídicas:alfa 1, alfa 2, beta 1, beta 2.

4. Enzimas

São biocatalisadores que diminuem a energia de ativação e aumentam a velocidade das reações químicas celulares;
            As enzimas têm uma extraordinária força catalítica com alto grau de especificidade por seus substratos, acelerando as reações químicas e funcionam em soluções aquosas diluídas em condições muito específicas de temperatura e pH.
            Entre as várias enzimas que participam do metabolismo, há as enzimas regulatórias que percebem sinais metabólicos e modificam sua velocidade catalítica para harmonia do meio.
            As enzimas (E)  são proteínas com um ou mais lugares denominados sítios ativos, aos quais se une o substrato (substância sobre a qual a enzima atua). O substrato é quimicamente modificado e convertido em um ou mais produtos (P). Esta reação é em geral reversível, e pode ser representada da seguinte maneira:

E  +  S   Û   [ES]   Û   E  +  P


Onde [ES] é complexo enzima-substrato intermediário. Aceleram a reação até alcançarem um equilíbrio.
Na célula também existem moléculas não protéicas que possuem atividade enzimática. Tais moléculas são as ribozimas, as quais, na realidade, são ácidos ribonucléicos.
            As enzimas presentes no interior das células podem atuar de forma livre no citosol; porém, em outros casos as enzimas podem participar de uma cadeia de reações químicas, estando unidas entre si, como um complexo multienzimático. Exemplo: sete enzimas que sintetizam os ácidos graxos.
            A célula viva raramente gasta energia na síntese ou degradação de material desnecessário. As milhares de reações químicas que ocorrem no interior da célula devem, portanto, ser rigorosamente controladas. A atividade enzimática é regulada através de dois mecanismos principais: controle genético e controle catalítico.
            As enzimas possuem padrões de distribuição bastante específicos. Por exemplo, algumas enzimas hidrolíticas se localizam nos lisossomas, outras enzimas se encontram nas cisternas do complexo de Golgi, e outras, como as RNAs polimerases e as DNAs polimerases, estão localizadas no núcleo.

5. Ácidos nucléicos

São polímeros formados por unidades menores (monômeros) denominados nucleotídeos;
São encontrados no citoplasma, mitocôndrias, cloroplastos e núcleo;

Funções: controle da síntese de proteínas; transmissão das informações genéticas dos ascendentes para os descendentes.
 Curiosidade


Cada nucleotídeo é formado por um radical fosfato (ácido ortofosfórico), um monossacarídeo do tipo pentose (ribose ou desoxirribose) e uma base nitrogenada que pode ser do tipo púrica (adenina, guanina) ou pirimídica (citosina, timina e uracila).

Tipos:
RNA (ácido ribonucléico)
DNA (ácido desoxirribonucléico)

DNA:

1953, os cientistas Watson; Crick e Wilkins elaboraram o modelo estrutural da molécula de DNA;
A molécula é constituída por dois filamentos polinucleotídicos paralelos, unidos e espiralizados em torno de um mesmo eixo imaginário;
Cada filamento é formado por uma seqüência de nucleotídeos unidos entre si por pontes de hidrogênio entre as bases nitrogenadas púricas e pirimídicas;
As bases formam pares definidos (adenina + timina, guanina + citosina);
Tem a desoxirribose como pentose (5 carbonos) e a timina como base nitrogenada exclusiva;
É componente da cromatina / cromossomos;
É responsável pelas informações genéticas que estão contidas na seqüência de combinações das bases nitrogenadas nos seus nucleotídeos;
O número de nucleotídeos em um DNA é variável. Ex: vírus simples (cinco mil), células de seres mais complexos (centenas de milhares);
Esse número elevado permite uma grande variação e combinações contribuindo com a biodiversidade;
Os organismos diferem um do outro porque as suas respectivas moléculas de DNA têm diferentes seqüências de nucleotídeos e, consequentemente, carregam diferentes mensagens biológicas.
O conjunto completo de informações do DNA de um organismo é chamado genoma (o termo é também usado para se referir ao DNA que carrega essa informação)
A quantidade total dessa informação é espantosa: uma célula humana típica contém 1 metro de DNA (3 x 109 nucleotídeos)

RNA:

Tem a ribose como pentose, e a uracila como base nitrogenada exclusiva;
É constituído por um filamento polinucleotídico;
É sintetizado a partir do DNA, por um processo denominado transcrição.
Tem como função produzir proteína
Encontrado: citoplasma, núcleo e nucléolo;

Tipos:
RNAm (mensageiro): representa cerca de 10% do total de RNA celular. Possuem a função de copiar genes que orientam a formação de peptídeos e proteínas que, por sua vez, originarão as características genéticas. Esse trabalho de copiar o gene, chamado transcrição, ocorre no DNA. Depois de pronto, o RNAm se dirige aos ribossomos, que farão a leitura para conhecer a fórmula da proteína codificada pelo gene.
RNAt (transportador): auxilia no processo de fabricação das proteínas que ocorre nos ribossomos, os quais estão situados no citoplasma de todas as células. Seu trabalho consiste em transportar para os ribossomos os aminoácidos necessários à síntese dessas proteínas. Também são cópias de determinados segmentos de DNA (genes).
RNAr (ribossômico): sua função está ligada à formação dos ribossomos em associação com algumas proteínas.